Em algum momento ali por 2007 ou 2008, eu lembro que um colega, após sairmos da escola, me levou para conhecer uma lan house que tinha aberto na cidade.
Conhecia o conceito de lan house pelo que já havia visto em revistas ou reportagens na TV, mas até aquele dia, nunca tinha pisado em uma.
Chegando lá, descobri que ela ficava em uma locadora relativamente famosa da cidade, que alugava VHS e videogames e, na ocasião, seria a primeira a levar “a tal da internet” para a cidade.
E naquela época foi um evento e tanto, veja, supondo que você aí do outro lado da tela seja alguém nascido há, sei lá, dezesseis ou dezoito anos atrás, em que todo mundo já nasceu em um mundo conectado, nessa época computadores domésticos e acesso à internet não eram como hoje, principalmente para quem morava (e mora) no interior, como eu.
Continuando, naquele mesmo dia ele me apresentou ao Orkut, uma grande rede social que era o sucesso do momento, tendo milhões de usuários por todo o país.
Além de ser, nas palavras desse colega, “muito doida, dá pra ver um monte de coisa de muito lugar, mandar coisas e ver fotos e tal!”, ele também era famoso pelas comunidades, onde a gente podia passar horas comentando sobre assuntos do nosso interesse, compartilhar ideias, piadas e o que mais fosse interessante para um adolescente maravilhado com esse, admirável e virtual mundo novo!
Que confesso não ter dado muita bola logo de cara.
Não entendia toda a animação desse meu colega. Quer dizer, tudo que eu via era uma página virtual com muita informação que um jovem Evaristo não dava a mínima, pois ele queria mesmo era jogar qualquer coisa em vez de ficar ouvindo as explicações do colega.
Mas em algum momento eu achei algo que me interessava. Uma comunidade de anime ali, outra de mangá acolá e enfim, uma voltada para o mundo daqueles que sonhavam em ser quadrinistas.
Lembro com carinho dos momentos que passei nessa comunidade, embora não lembre o nome, mas sempre havia pessoas compartilhando material de estudo que eu nunca havia visto na vida, técnicas, dicas e macetes, tudo ali e de graça.
É, naquela época ainda não havíamos virado mercenários virtuais.
Naquela época, muitos acreditavam que a internet uniria as pessoas, que seria uma grande troca de conhecimentos e culturas, um espaço de liberdade. Professores, sociólogos e comunicólogos defendiam que ela poderia promover a democracia no mundo.
Preciso dizer o quão enganados estávamos?
Quando parei para lembrar dessa época, confesso que tinha uma ideia (totalmente errada, como acontece com todo mundo que sente nostalgia de algo) de que o ambiente virtual era melhor no passado, mas não era, sempre foi a merda que é.
Obviamente que em uma escala menor se comparada com hoje
Veja, o próprio Orkut tinha seus problemas com perfis falsos, vírus que roubavam contas, ciberbullying e pessoas viciadas em estarem conectadas, assim como fake news (embora em uma velocidade de disseminação muito menor que hoje), desinformação e conteúdos criminosos.
E quando percebo que hoje as redes são mais um banco de dopamina virtual que, no meio de um anúncio e outro, impulsiona conteúdos supremacistas, nazistas ou qualquer coisa asquerosa do tipo, eu me sinto um imbecil por ainda permanecer nelas.
“Então sai, o que te impede?”
Trabalho.
Puro trabalho.
Veja bem, hoje em dia as redes, além de uma forma de entretenimento e divulgação, também se tornaram fonte de renda para muitas pessoas, sejam elas influenciadores ou freelancers, como eu, ou qualquer outra profissão.
Querendo ou não, dá para captar clientes por ali, seja pela facilidade de acesso ao conteúdo do profissional ou influenciador, seja pela praticidade (mesmo que não recomendável) de usar um Instagram como portfólio.
Além do mais, as grandes corporações digitais conseguiram associar inteiramente a vida real com a digital, de forma que, se você não existe em alguma rede social, você simplesmente não existe em lugar algum.
E o pior de tudo, os números de uma rede social acabam influenciando na sua vida.
Exemplo rápido: já perdi a chance de trabalhar com uma editora por não possuir seguidores o suficiente.
Isso é tão absurdo que (meu Deus, como eu odeio essa timeline em que vivemos) que me deixa puto toda vez que lembro.
Outra coisa maluca: as pessoas estão criando contas privadas em redes sociais, apenas para interagir com seus amigos próximos. Não, não. Pense um pouco nisso e o quanto é ridícula essa ideia.
Conhecia o conceito de lan house pelo que já havia visto em revistas ou reportagens na TV, mas até aquele dia, nunca tinha pisado em uma.
Chegando lá, descobri que ela ficava em uma locadora relativamente famosa da cidade, que alugava VHS e videogames e, na ocasião, seria a primeira a levar “a tal da internet” para a cidade.
E naquela época foi um evento e tanto, veja, supondo que você aí do outro lado da tela seja alguém nascido há, sei lá, dezesseis ou dezoito anos atrás, em que todo mundo já nasceu em um mundo conectado, nessa época computadores domésticos e acesso à internet não eram como hoje, principalmente para quem morava (e mora) no interior, como eu.
Continuando, naquele mesmo dia ele me apresentou ao Orkut, uma grande rede social que era o sucesso do momento, tendo milhões de usuários por todo o país.
Além de ser, nas palavras desse colega, “muito doida, dá pra ver um monte de coisa de muito lugar, mandar coisas e ver fotos e tal!”, ele também era famoso pelas comunidades, onde a gente podia passar horas comentando sobre assuntos do nosso interesse, compartilhar ideias, piadas e o que mais fosse interessante para um adolescente maravilhado com esse, admirável e virtual mundo novo!
Que confesso não ter dado muita bola logo de cara.
Não entendia toda a animação desse meu colega. Quer dizer, tudo que eu via era uma página virtual com muita informação que um jovem Evaristo não dava a mínima, pois ele queria mesmo era jogar qualquer coisa em vez de ficar ouvindo as explicações do colega.
Mas em algum momento eu achei algo que me interessava. Uma comunidade de anime ali, outra de mangá acolá e enfim, uma voltada para o mundo daqueles que sonhavam em ser quadrinistas.
Lembro com carinho dos momentos que passei nessa comunidade, embora não lembre o nome, mas sempre havia pessoas compartilhando material de estudo que eu nunca havia visto na vida, técnicas, dicas e macetes, tudo ali e de graça.
É, naquela época ainda não havíamos virado mercenários virtuais.
Naquela época, muitos acreditavam que a internet uniria as pessoas, que seria uma grande troca de conhecimentos e culturas, um espaço de liberdade. Professores, sociólogos e comunicólogos defendiam que ela poderia promover a democracia no mundo.
Preciso dizer o quão enganados estávamos?
Quando parei para lembrar dessa época, confesso que tinha uma ideia (totalmente errada, como acontece com todo mundo que sente nostalgia de algo) de que o ambiente virtual era melhor no passado, mas não era, sempre foi a merda que é.
Obviamente que em uma escala menor se comparada com hoje
Veja, o próprio Orkut tinha seus problemas com perfis falsos, vírus que roubavam contas, ciberbullying e pessoas viciadas em estarem conectadas, assim como fake news (embora em uma velocidade de disseminação muito menor que hoje), desinformação e conteúdos criminosos.
E quando percebo que hoje as redes são mais um banco de dopamina virtual que, no meio de um anúncio e outro, impulsiona conteúdos supremacistas, nazistas ou qualquer coisa asquerosa do tipo, eu me sinto um imbecil por ainda permanecer nelas.
“Então sai, o que te impede?”
Trabalho.
Puro trabalho.
Veja bem, hoje em dia as redes, além de uma forma de entretenimento e divulgação, também se tornaram fonte de renda para muitas pessoas, sejam elas influenciadores ou freelancers, como eu, ou qualquer outra profissão.
Querendo ou não, dá para captar clientes por ali, seja pela facilidade de acesso ao conteúdo do profissional ou influenciador, seja pela praticidade (mesmo que não recomendável) de usar um Instagram como portfólio.
Além do mais, as grandes corporações digitais conseguiram associar inteiramente a vida real com a digital, de forma que, se você não existe em alguma rede social, você simplesmente não existe em lugar algum.
E o pior de tudo, os números de uma rede social acabam influenciando na sua vida.
Exemplo rápido: já perdi a chance de trabalhar com uma editora por não possuir seguidores o suficiente.
Isso é tão absurdo que (meu Deus, como eu odeio essa timeline em que vivemos) que me deixa puto toda vez que lembro.
Outra coisa maluca: as pessoas estão criando contas privadas em redes sociais, apenas para interagir com seus amigos próximos. Não, não. Pense um pouco nisso e o quanto é ridícula essa ideia.
Mas enquanto não posso sumir totalmente do meio virtual, pelo menos posso sair de certas redes, como por exemplo o TikTok, que estou considerando abandonar de uma vez por todas.
Não me entenda mal, ali há conteúdos maravilhosos se você cavucar, eu mesmo acompanho alguns perfis incríveis por lá e meio que são eles que me “seguram” ainda.
Contudo, é uma rede gerenciada por filhos da puta, uma rede que fomenta a criação de conteúdo clickbait, desinformação e alienação das pessoas.
Sabe o lance da dopamina virtual? Eu acredito que o TikTok é tipo o crack das dopaminas virtuais.
Às vezes, quando lembro desse passado virtual, penso nesse colega e me questiono se foi benéfico ele ter me apresentado à internet.
Será que eu seria quem sou?
Eu teria mais saúde mental?
Seria menos dependente das redes sociais?
Eu teria aprendido o que aprendi com desenho?
E a verdade é que eu não chego a nenhuma conclusão.
Mas sei que, enquanto eu puder compartilhar minhas ideias, trabalhos e chororô aqui nesse blog, viver nesse ambiente virtual maldito pode ser mais tolerável.
Inté.
Calma, calma, calma. Ainda tá ai? Beleza, se gostou do texto e quiser ler mais coisas minhas por aqui, sinta-se a vontade, mas recomendo dar uma lida em:
Atura Camuirá, quadrinho gratuito e, se quiser, pode ajudar com um PIX maroto.
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Desde já o meu muito obrigado!


