Postagem em destaque

Republicação: Atura Camuirá - A Olho da Morte, compilado capítulo 1 e 2

Um pajé, uma idosa com passado sombrio, uma flauta e um armário. Qual a ligação disso tudo? Descubra lendo Atura Camuirá, um quadrinho ambie...

domingo, 22 de março de 2026

Detrás da prancheta #50 - Traje Rasgado, da Coluna ao Braço — ensaio de retorno adiado?

Eu sou do tipo que acredita que as melhores aventuras do Homem-Aranha são daquelas em que ele mais se ferra. Aquelas em que ele é levado ao limite, termina com seu traje todo rasgado e a máscara revelando metade do seu rosto (o que, francamente, já seria o suficiente para que alguém descobrisse sua verdadeira identidade).

Por vezes eu acredito que por ter essa predileção sádica a gente tem maior tendência a se ferrar também. Tal qual Homem-Aranha, se as coisas vão indo bem no lado herói, já no lado civil, como Peter Parker, a vida está uma desgraça só ou vice-versa. E foi exatamente algo assim que aconteceu comigo dessa vez.

De novo.




As coisas estavam indo bem, quer dizer, entenda por bem: está trabalhando de doze a quatorze horas por dia e com freelas entrando o suficiente para não me deixar passar fome. Sim, isso, para mim em tempos de IA, sem salário fixo em uma sociedade capitalista desgraçada, isso é ir bem. Pelo menos para um artista da base da pirâmide como eu.

Tá, tá, quem eu quero enganar? Isso não é ir bem, é sobreviver no limite. Mas enfim, é só o que posso fazer, continuando...

Até que dia desses eu tive mais uma crise da coluna que me fez entender o espanto dos médicos quando diziam, meses antes, coisas do tipo: “Como tu ainda tá de pé?” ou “Não era pra você conseguir nem andar, eu já vi colunas como a tua em um idoso de setenta e três anos!”

Foi uma dor horrível. Tenho certa tolerância a dor e já convivo com dores desde os vinte e poucos anos, mas nesse caso foi a primeira vez que desejei morrer enquanto chorava. As primeiras duas semanas eu não pude andar, me movia da cama para o banheiro com ajuda do meu irmão, na terceira eu consegui ir até o pátio e fiquei bem feliz, mas não aguentei mais do que cinco minutos em pé. Na quarta eu já pude ir até o quintal e de lá para cá eu ando um pouco mais, sempre com ajuda de um bastão, só para o caso de eu perder o equilíbrio.

As consultas estavam em andamento, eu estava tomando medicamentos e já podia ficar sentado, então achei que poderia voltar ao trabalho e dar prosseguimento nas comissions e outras encomendas, até porque os boletos não esperam que você se recupere.

Lembra da sociedade capitalista desgraçada? Pois é.

Então, numa bela noite fria, o braço esquerdo começa a formigar. Não, não era o tipo de formigamento que você pode estar pensando. Persisti mais um pouco no trabalho mas, o incômodo foi tanto que achei melhor parar um pouco e fui deitar. Algumas horas depois o formigamento virou dor e foi aumentando ao ponto de eu ter de ir para o hospital atrás de alguma coisa que aliviasse a dor.

Para encurtar o texto, fiquei mais algumas semanas sem poder sair da cama, pois nos dias que se seguiram ficou impossível permancer sentado sem sentir que o braço esquerdo estava sendo rasgado do corpo.

Fui ao médico mas não foi de grande ajuda, os exames ainda estão sendo marcados e, verdade seja dita, nesse exato momento ele ainda dói, enquanto tento ensaiar um retorno aos trabalhos.

E pense o seguinte: do último parágrafo, até o começo deste, passaram-se duas semanas, pois a dor retornou tão intensa que me vi obrigado a parar de novo.

E agora me encontro nessa situação de frustração. Primeiro, porque eu preciso de grana, a coisa apertou e nem medicamentos estou podendo comprar, uma vez que a porra de uma caixa de pregabalina custa quase oitenta pilas para as bandas de cá. Segundo, me entristece não poder desenhar. Fico o tempo todo me sentindo impotente e frustrado, minha vida parece que minha vida está se tornando sem sentido.

Por sorte eu uso esse tempo para ler algumas coisas e reler outras, reli a Trilogia Sprawl, V de Vingança, Grandes Astros: Superman e agora, temendo ficar mais uma eternidade em repouso, estou relendo os livros da série Crônicas de Gelo e Fogo, a esperança é que o véio termine o último livro antes de eu ficar cem por cento da coluna.

Enfim…

Agradeço pela paciência dos clientes, a você que ainda visita o blog e espero poder voltar o quanto antes ao trabalho. Se quiser me ajudar, leia Atura Camuirá, se achar que valeu a pena a leitura, faça um pix maroto para davidevaristo20@gmail.com ou compartilhe em suas redes sociais, grupos de amigos, grupo de leitura ou o que for, pois isso também ajuda demais!

Inté!

PS: de quebra ganhei uma pedra na vesícula. Peter Parker estaria orgulhoso de mim?