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quarta-feira, 29 de julho de 2026

Detrás da prancheta #51 - E o futuro gargalha!

“The Sun is the same, in a relative way
But you're older
Shorter of breath
And one day closer to death

Every year is getting shorter
Never seem to find the time
Plans that either come to naught
Or half a page of scribbled lines”

Time – Pink Floyd

Eu lembro que, no passado, o futuro parecia brilhante, promissor, e tudo dependia apenas do meu esforço e força de vontade para chegar onde todos diziam que eu deveria chegar.

Mas então, no presente, eu vejo que o passado não é acurado e o futuro brilhante e promissor me escapou como areia entre os dedos.

O futuro que enxergo agora é incerto. Há vezes que me assusta e faz com que eu chore; outras, me faz ficar apático e sem vontade. E, de vez em quando, geralmente quando estou em dias como esse, em que faço aniversário, ele parece zombeteiro.

Ainda olhando para trás, me agarro nos bons momentos que vivi, nas boas memórias com pessoas que nem fazem mais parte da minha vida. Revivo dias específicos e lembro de pessoas únicas que me fazem entender por que algumas pessoas ainda vivem tão ligadas ao passado, ao ponto de esquecerem totalmente do presente.

E aí o futuro gargalha.

Eu não tenho piada ou argumento para retrucar, não tenho saúde e nem condições de revidar. Então eu só reclamo, porque enquanto eu estiver reclamando, quer dizer que eu ainda existo.

Quantas pessoas eu decepcionei?

Mas não foi minha culpa se eu não atendi às suas expectativas. Não, não. Desde os dezessete anos eu deixei de esconder minha incapacidade com as coisas da vida. Desde essa época eu já dizia que era um ser humano incompetente.

O futuro gargalha e eu me aconchego em memórias de um passado onde desenhar era a coisa mais divertida do mundo: a descoberta de novas técnicas, aprender algo novo, terminar um desenho com bico de pena pela primeira vez, conseguir entender como algum artista resolveu algo em uma página. Mágico!

Mas o passado não é acurado e, por isso, não é confiável. Os meus cachorros latem e me trazem ao presente. Aqui ainda há algumas pessoas que não me abandonaram, há família e responsabilidades, há coisas novas para ver de vez em quando também. E, por isso, preciso continuar.

Quanto ao futuro?

Ele continua gargalhando.

Inté.