terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Hana-O


Hana-O é um personagem do Andy Corsant que finalizou a sua hq (de mesmo nome) recentemente. Se você estiver lendo isso lá por março, bom, já não será tão recente,hahaha.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Passos





Eu não imaginei que seria assim.”

Uma chuva fina banha a pequena cidade esquecida pelo mundo e por qualquer pessoa que já passou por ela.

Há um mercadinho localizado na esquina de uma rua lamacenta. Em frente uma mulher, abrigando a si e ao filho – ainda de colo - de baixo de um guarda-chuva da Barbie, espera o marido que está dentro do estabelecimento tentando comprar fiado mais uma vez.

Eu nunca quis que fosse assim.” Ela pensa.

No seu colo o filho desfruta do sono que apenas bebês desfrutam. A cidade, graças a chuva fina, também está adormecida, estando apenas alguns poucos azarados, bandidos e trabalhadores acordados.

Eu nunca quis que fosse assim.” Ela pensa.

O filho em seu colo faz um grunhido, aquele tipo que só bebês fazem e isso a faz esboçar um sorriso em seu rosto pálido.

As coisas tomaram um rumo totalmente diferente do que ela pensou que seria a vida dela.

Embalada por mais um grunhido do filho, ela fecha os olhos e imagina, mais uma vez, como seria.


Naquela manhã eles acordariam felizes e mais apaixonados do que nunca. Seja pelo filho que tinham ou por um acordar ao lado do outro, todo santo dia. Ela gostava de acordar antes dele apenas para vê-lo fazer os grunhidos que ele fazia enquanto estava dormindo ao seu lado, aqueles grunhidos que apenas ele fazia.

E quando ele despertasse, ambos iam rir, porque ele sempre achou esse hábito dela engraçado. Depois ele diria: “Te amo” e ela responderia: “Também te amo.”

Ele prepararia o café enquanto ela amamentava o filho, pois eles haveriam planejado como dividir as tarefas de casa quando o filho tivesse nascido. Tomariam café juntos e conversariam sobre o que fariam durante o dia, ele falando sobre suas vendas externas e como estava sentindo o cheiro de promoção, ela sobre os quadros que estava pintando, inclusive um sendo encomenda de uma pessoa importante da cidade vizinha.



A tarde ele ligaria para ela.

Perguntaria sobre o filho, perguntaria sobre a pintura, e pediria para que ela falasse mais e mais sobre o que estava pintando, tudo isso porque adorava ouvir sua voz. E ela saberia disso, pois ele já havia contado.



A noite os dois ou melhor, três, jantariam juntos.

Ela perguntaria sobre o dia dele e ele diria tudo para ela, o que fez, por onde andou, o que vendeu e sobre como ficou feliz quando foi chamado na sala do chefe e recebeu a promoção. O que ela faria? Ora, iria pôr My Girl do The Temptations – a música preferida dela e seria a dele também – e os dois dançariam ali mesmo, na cozinha.

Quando o filho começasse a chorar, ele o pegaria no colo e simularia movimentos de dança. A simulação de dança se estenderia para a sala. Ela riria da cena, mas logo em seguida tomaria o filho dos braços do pai e diria que era sua vez de dançar com o belo rapazinho.

E eles dançariam, se revezando, até que o filho pegasse no sono.
Ela que iria pôr o filho no berço enquanto ele cuidava de limpar a pequena bagunça na cozinha e, quando retornasse para a cozinha, daria de cara com o marido pondo outra música para tocar, a música que ela também adorava ouvir e ele adorava vê-la ouvindo.

Dancing Queen do Abba.

Dança para mim, meu amor?” Ele pediria.

E ela dançaria. E antes mesmo de dançar um minuto da música ambos estariam se amando no chão da sala. Seria uma festa a dois, regada a muito amor, felicidade, prazer e mais amor. Sempre lembrariam daquela noite. Sempre.


- Vamos.

Ela acaba sendo tirada do sonho que nunca viveria. Era o marido.

- Então? – ela pergunta.

- Porra nenhuma. Ele disse que eu devo aquela conta passada, se tivesse quitado ainda dava pra me vender pelo menos ovo.

A chuva ficou ainda mais fina. Em silêncio os dois caminham pela rua lamacenta. Ela, por carregar o filho no colo, anda mais devagar que o marido, que está alguns passos à frente e não parece nem um pouco preocupado em olhar para trás para saber como a esposa e o filho estão.

O bebê principia um choro, mas ela faz o que apenas as mães conseguem fazer para acalmar um filho e com isso, mais uma vez, ela esboça um sorriso.


Quando volta a olhar para frente percebe os passos que distanciam a do marido. Poucos. Mas que mostram o abismo que há entre seus corações.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Sketchbook #33

Sketch de 20 minutos do Bruce Wayne.
Eu gosto do Batman detetivesco e que pega uma peia de vez em quando.